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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Entrevista com Bráulio Tavares

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Entrevista com o renomado escritor paraibano Braulio Tavares, na ocasião de sua participação no III Encontro de Literatura Contemporânea, realizado pelo Núcleo Literário Blecaute, que integrou as atividades do 21º Encontro da Nova Consciência em Campina Grande, PB, em 19 de fevereiro de 2012. A entrevista foi cedida ao escritor Maxwell F. Dantas, membro da ABES, Associação Boqueirãoense de Escritores.


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Circunstâncias

    A maioria das pessoas, por aqui, demonstram muita facilidade em porem suas vidas em risco. No entanto, protegê-las parece uma tarefa complicada, para a qual o esforço não vale a pena.Vamos aos fatos: motoqueiros não dão muita importância ao capacete, peça que pode proteger a parte mais importante do seu corpo - a cabeça. Ai você diz: "Mas eu já vi você, Maxwell, pilotando moto sem capacete!". E eu te respondo: "Sim, mas depende de algumas circunstâncias. Na cidade, sim. Na BR, não". Então, depois de uma sensata discussão, chegamos a conclusão de que eu posso fazer da minha vida o que eu quiser, mas da vida dos outros não. Um ônibus em condições mecânicas precárias pode matar dezenas de pessoas de uma só vez, facilitando, assim, o trabalho da Dona Morte.  Uma empresa de ônibus, por exemplo, não têm o direito de por a vida dos passageiros em risco. Mas, diante de uma empresa cuja frota de ônibus quebra com frequência e deixa transparecer com clareza a deterioração de seus veículos, a maioria de seus usuário(a)s só consegue, no máximo espernear e grunhir, ao invés de tomar uma medida efetiva, como procurar o órgão fiscalizador competente e executar a forma cabível de requerer providências. As reclamações (que já ouvi aos montes dentro do ônibus) são jogadas ao vento, ou nos ouvidos dos cobradores e motoristas, que nada podem fazer de eficaz.
    Outra alternativa seria recorrer ao quarto poder: a imprensa, a mídia de modo geral - de preferência, a televisiva, por sua abrangência. Mas parece que há uma tendência patológica de quem reclama em achar que a pessoa mais adequada para fazer isso é o outro, o vizinho, o cara mais alto, o mais falador, enfim, qualquer um menos "eu". Parece que na hora de assumir a responsabilidade, as pernas enfraquecem, a boca perde o movimento, a voz se exaure, os músculos se paralisam.
   Reclamar às pampas de problemas sociais é delicioso, suculento, mas coragem para assumir a responsabilidade e tomar a iniciativa de dar o primeiro passo, quase ninguém quer. Deve estar fora de moda; deve ser isso.
     Além de tudo que já disse aqui, vou ser obrigado a encontrar um adjetivo mais potente e abrangente, que possa simbolizar todo o meu desapontamento. Isto porque escrevia eu este texto quando fazia o trajeto Boqueirão - Campina Grande, em um veículo da Viação Rio Doce, quando percebi, no acostamento da rodovia, um funcionário da referida viação fotografando os enormes buracos na rodovia enquanto o ônibus passava com dificuldade por eles, num trecho próximo à cidade de Queimadas. Simultaneamente a minha observação do fato, enquanto uma fagulha de esperança se acendia em mim, por ver uma iniciativa do tipo das que eu reivindico neste texto, uma passageira ao meu lado tratou de jogar um "carro-pipa" de água fria sobre a fagulha, declarando com uma propriedade estonteante, em um tom de voz desdenhoso: "Nem adianta tirar fotos dos buracos... o governo não resolve mesmo!". De um lado, uma atitude. Do outro, o seu carrasco.
    Dizem por aí que vivemos em uma democracia. Dizem, também, que democracia (do grego demokratía) significa governo do povo. O que posso concluir da declaração da moça é que não adianta O POVO reclamar ou agir porque O POVO não resolverá.
    Será que estamos todos derrotados? Quando uso o verbo ESTAMOS, refiro-me a NÓS, o povo. E não confundam, não me contento simplesmente com gente empunhando paus e bandeiras com dois ou três líderes guiando uma multidão de embalistas ou reacionários. Não é tão simples. Não quero mártires. Será que alguém aí pode me responder o que eu quero?

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

INATEFECÍVEL

INERTE, OFF-LINE, FORA DO AR, INCONSCIENTE, EM COMA, INDOLENTE, INDISSOLÚVEL, OPACO, ALUZÍDIO, FRUGAL, EMERSO, EMBUÇADO, NÊUTRON, SOPITADO, DESAZADO, VESANO, AZORATADO