Leia como quem beija

Beije como quem escreve

Total de visualizações de página

domingo, 15 de abril de 2012

Parâmetro


Parâmetro

O homem,
em sua grandeza titânica,
esmaga o inseto

O infarto,
em sua destreza tácita,
demole o homem

O leitor,
bebe o poema e disseca o verso

Homem, leitor e inseto
partilham o mesmo futuro incerto

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Um sorriso sem graça...

    Quando Chico Anysio morreu, a voz de um mestre se calou, ao passo em que sua obra rumou para o curso dos tempos. Dos tempos duradouros.
    Várias instâncias da mídia televisiva anunciaram e lamentaram a morte do maior humorista do Brasil: Chico Anysio. Ao ouvir repetir-se este título, do qual Francisco Anysio de Oliveira paula Filho (1931 - 2012) foi amplamente merecedor, percebi que o referido título é como uma moeda: é um único elemento, mas tem duas faces.Não, Chico não tem (ou tinha) duas faces, duas caras - até porque ele tinha mais de uma centena delas através de seus brilhantes personagens. Refiro-me ao fato de este título só poder ser compreendido e usado em sua plenitude, se insurgir na outra face da moeda o rosto do magnífico Millôr Fernandes, um ás da língua portuguesa. O curioso é que eu me preparava para escrever este texto de modo a prestar homenagens a um mito morto e outro vivo, incomodado que estava com a incompletude daquele título. Porém, a morte de Chico ocorreu em pleno frigir da 3ª FLIBO (evento do qual faço parte na organização), o que não me possibilitou escrever logo o texto, e quatro dias depois Millôr, o outro maior humorista do Brasil, também se foi.
    Milton/Millôr Viola Fernandes (1923/1924 - 2012) não era tão mencionado na TV quanto Chico. Contudo, esbanjou talento e criatividade nas páginas de revistas, jornais, livros e peças de teatro. Se, por um lado, Chico tinha a rede globo ao seu lado, dando-lhe projeção e visibilidade monstruosas, Millôr, por outro, tinha a liberdade de não ficar refém da censura da TV, elaborando pensamentos, apotegmas, dislates, imprudências, heresias cortantes, sarcásticas, e não menos inteligentes. Ora sinto-me impulsionado a dizer aqui que Millôr, enquanto artista, foi maior que Chico. Ora sou levado a pensar em fazer o contrário, elevar Chico sobre Millôr. Todavia, percebo que cometeria uma heresia se o fizesse, dada a importância e incontestável valor de ambas as obras. Mas percebo que uma capacidade tão potente e prolífica de criar, com uma qualidade tão notável e espantosa, dispensa classificações hierárquicas para ambos, e os alocam em um lugar onde os grandes não ocupam espaço nem posição, mas apenas perpetuam-se; embora haja um traço que distingue Millôr de Chico: o primeiro podia atirar em deus e o mundo, o segundo só podia atirar no mundo. 
    Acho que esses dois dias de março de 2012 foram (e provavelmente serão) os únicos dias da história do Brasil em que, ironicamente, a tristeza sobrepôs o riso.


quarta-feira, 14 de março de 2012

Evento Literário

3ª FEIRA LITERÁRIA DE BOQUEIRÃO


    A paraíba, definitivamente, conta com eventos literários perenes. Prova disso é a 3ª FLIBO, Feira Literária de Boqueirão, que se realizará na cidade de Boqueirão, paraíba, situada a 45 quilômetros de Campina Grande. O evento terá início no dia 21 de março de 2012, com uma marcha pela literatura às 16:00, e às 19:00 a abertura oficial no CEFAR. A partir da quinta feira o público poderá aproveitar palestras, oficinas, mesa redondas, lançamentos de livros, saraus e apresentações musicais após as palestras da noite.
    Os escritores homenageados da FLIBO 2012 serão Braulio Tavares e Lourdes Ramalho, ambos paraibanos.
    Até sábado (24/03), todos que comparecerem terão a oportunidade de apreciar a literatura de variadas formas, de conhecer autores importantes em atividade no Brasil, de adquirir livros recém saídos da gráfica, enfim, de poder se deleitar com essa arte que atravessa os séculos movimentando o conhecimento e a imaginação. Boqueirão estará de portas abertas esperando a sua presença.

Este é blog onde é possível encontrar a programação da FLIBO:  flibo2012.blogspot.com

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Entrevista com Bráulio Tavares

video
Entrevista com o renomado escritor paraibano Braulio Tavares, na ocasião de sua participação no III Encontro de Literatura Contemporânea, realizado pelo Núcleo Literário Blecaute, que integrou as atividades do 21º Encontro da Nova Consciência em Campina Grande, PB, em 19 de fevereiro de 2012. A entrevista foi cedida ao escritor Maxwell F. Dantas, membro da ABES, Associação Boqueirãoense de Escritores.


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Circunstâncias

    A maioria das pessoas, por aqui, demonstram muita facilidade em porem suas vidas em risco. No entanto, protegê-las parece uma tarefa complicada, para a qual o esforço não vale a pena.Vamos aos fatos: motoqueiros não dão muita importância ao capacete, peça que pode proteger a parte mais importante do seu corpo - a cabeça. Ai você diz: "Mas eu já vi você, Maxwell, pilotando moto sem capacete!". E eu te respondo: "Sim, mas depende de algumas circunstâncias. Na cidade, sim. Na BR, não". Então, depois de uma sensata discussão, chegamos a conclusão de que eu posso fazer da minha vida o que eu quiser, mas da vida dos outros não. Um ônibus em condições mecânicas precárias pode matar dezenas de pessoas de uma só vez, facilitando, assim, o trabalho da Dona Morte.  Uma empresa de ônibus, por exemplo, não têm o direito de por a vida dos passageiros em risco. Mas, diante de uma empresa cuja frota de ônibus quebra com frequência e deixa transparecer com clareza a deterioração de seus veículos, a maioria de seus usuário(a)s só consegue, no máximo espernear e grunhir, ao invés de tomar uma medida efetiva, como procurar o órgão fiscalizador competente e executar a forma cabível de requerer providências. As reclamações (que já ouvi aos montes dentro do ônibus) são jogadas ao vento, ou nos ouvidos dos cobradores e motoristas, que nada podem fazer de eficaz.
    Outra alternativa seria recorrer ao quarto poder: a imprensa, a mídia de modo geral - de preferência, a televisiva, por sua abrangência. Mas parece que há uma tendência patológica de quem reclama em achar que a pessoa mais adequada para fazer isso é o outro, o vizinho, o cara mais alto, o mais falador, enfim, qualquer um menos "eu". Parece que na hora de assumir a responsabilidade, as pernas enfraquecem, a boca perde o movimento, a voz se exaure, os músculos se paralisam.
   Reclamar às pampas de problemas sociais é delicioso, suculento, mas coragem para assumir a responsabilidade e tomar a iniciativa de dar o primeiro passo, quase ninguém quer. Deve estar fora de moda; deve ser isso.
     Além de tudo que já disse aqui, vou ser obrigado a encontrar um adjetivo mais potente e abrangente, que possa simbolizar todo o meu desapontamento. Isto porque escrevia eu este texto quando fazia o trajeto Boqueirão - Campina Grande, em um veículo da Viação Rio Doce, quando percebi, no acostamento da rodovia, um funcionário da referida viação fotografando os enormes buracos na rodovia enquanto o ônibus passava com dificuldade por eles, num trecho próximo à cidade de Queimadas. Simultaneamente a minha observação do fato, enquanto uma fagulha de esperança se acendia em mim, por ver uma iniciativa do tipo das que eu reivindico neste texto, uma passageira ao meu lado tratou de jogar um "carro-pipa" de água fria sobre a fagulha, declarando com uma propriedade estonteante, em um tom de voz desdenhoso: "Nem adianta tirar fotos dos buracos... o governo não resolve mesmo!". De um lado, uma atitude. Do outro, o seu carrasco.
    Dizem por aí que vivemos em uma democracia. Dizem, também, que democracia (do grego demokratía) significa governo do povo. O que posso concluir da declaração da moça é que não adianta O POVO reclamar ou agir porque O POVO não resolverá.
    Será que estamos todos derrotados? Quando uso o verbo ESTAMOS, refiro-me a NÓS, o povo. E não confundam, não me contento simplesmente com gente empunhando paus e bandeiras com dois ou três líderes guiando uma multidão de embalistas ou reacionários. Não é tão simples. Não quero mártires. Será que alguém aí pode me responder o que eu quero?

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

INATEFECÍVEL

INERTE, OFF-LINE, FORA DO AR, INCONSCIENTE, EM COMA, INDOLENTE, INDISSOLÚVEL, OPACO, ALUZÍDIO, FRUGAL, EMERSO, EMBUÇADO, NÊUTRON, SOPITADO, DESAZADO, VESANO, AZORATADO

sábado, 28 de janeiro de 2012

"Eu gosto de tudo um pouco"

Existem momentos nos quais é preciso ser "grosso". Esse é um deles.
"Eu gosto de tudo um pouco". Eu tenho a impressão de que quem gosta de tudo um pouco, não gosta muito de nada. Esta atitude parece ser fruto da preguiça de pensar ou do medo de se posicionar. Pensar não mata... pode cansar um pouco, mas matar, não mata! E a menos que seu posicionamento implique em risco de vida, se posicione (embora nem assim algumas pessoas deixem de se posicionar).
Vamos deixar esse negócio de gostar de tudo para quem já morreu, ou pra quem tem um programa de auditório em uma grande rede de televisão (é... porque com um salário desses, qualquer um sai gostando de tudo por aí...).
Odeie algumas coisas também, rapaz... de vez em quando é bom para a saúde. Dizem que não gostar de algumas coisas ajuda a queimar gorduras. Por outro lado, gostar demais, exageradamente, indiscriminadamente, não é das melhores escolhas. Principalmente, porque nos impede de detestar essa mesma coisa, caso seja necessário.
Num mundo onde gostar de tudo parece tão fácil, detestar um pouquinho pode ajudar a gostar com a luz acesa e os olhos abertos.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Dentro

Dentro da palavra havia um grito
O mais ingrato grito audível
O grito de um segredo no escuro
Batendo e rebatendo nas paredes

Dentro do grito havia uma cor
Invisível no arco-íris,
Cujo tom esfarelado
Escondia um brilho quente

Dentro da cor havia um sonho
Longo louco turvo sonho
Em que se vê tudo desatento
Em que se vê um riso escondido atrás da porta

Dentro do sonho havia uma palavra
Escrita à lápis, escrita errada
Pronunciada pela mais bela boca
Ouvida pelo mais surdo ouvido
Vista pelo olho mais cético
Uma palavra da cor dos sonhos
Que soa como uma explosão
E se cala